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Suplemento Burlesco 1468 V
Parte V - A crise

Nas sessões da Assembleia Geral do Banco de Lisboa realizadas em 1826 e 1827 começou a ser notória a preocupação dos principais acionistas perante as pressões do Governo para a abertura de um novo empréstimo e para a realização, através do banco, de pagamentos antecipados a diversos serviços da administração pública. Ficaram também patentes as dificuldades de tesouraria originadas pela procura de moeda-metálica a ser dada em troca de uma quantidade crescente de papel-moeda descontado, ao mesmo tempo que se constatava que o seu processo de extinção e de progressiva substituição por notas de banco estava longe de conhecer o desejado desfecho.

Suplemento Burlesco do Jornal "Patriota" nº1468
Arquivo Histórico do Banco de Portugal
A crise de 1827

O excesso de pedidos do público para a conversão de papel-moeda e notas levou a que, no final de 1827, a Direção do Banco de Lisboa suspendesse essa conversão. Isto colocou o Banco de Lisboa em choque com o Governo, que ordena o restabelecimento da conversão.

Ofício do Banco ao Ministro da Fazenda participando a suspensão do pagamento de notas e papel-moeda

A Direção do Banco de Lisboa comunica, a 6 de dezembro de 1827, ao Ministro da Fazenda que, perante a falta de moeda de prata para responder aos pedidos de troca por nota e papel-moeda, irá suspender no dia seguinte esta conversão, chamando a atenção do Governo para o facto de isso poder "produzir no público grande sensação, e talvez motins, que se devem prevenir".

CONSULTE AQUI

Livro nº2 de Registo de papéis oficiais, 1824-1828
Arquivo Histórico do Banco de Portugal
Termos de emissão e amortização das notas do Banco
Livro nº1 de Termos de emissão e amortização das notas do banco, 1824-1828
Arquivo Histórico do Banco de Portugal

Após a crise de 1827, o Banco de Lisboa conheceu uma fase de contração de atividade que perdurou até aos anos da Guerra Civil de 1832-1834. No rescaldo deste agitado período da vida política portuguesa, o Banco de Lisboa recuperou a sua feição de instituição prestamista do Estado, partilhou com o Banco Comercial do Porto (criado em 1835) a função de banco emissor, pôs de pé um novo programa de extinção do papel-moeda, beneficiou do clima de estabilidade política dos governos de Costa Cabral, no início da década de 1840, e patrocinou a criação de companhias financeiras também destinadas a providenciar fundos para o funcionamento dos serviços do Estado e saneamento das finanças públicas.

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Parte VI

O renascimento

Uma nova crise ocorrida em 1846, nas vésperas e no contexto de novas turbulências políticas, com a guerra civil da Patuleia, e o levantamento popular da Maria da Fonte, acabou por ditar o desfecho institucional esperado de reconfiguração das instituições bancárias e financeiras que levaria à fusão do Banco de Lisboa com a Companhia Confiança Nacional e à gestação do Banco de Portugal.